Autismo em adultos
O que acontece quando a vida inteira faz sentido de um jeito diferente
Guilherme Marinho - Psicólogo e Neuropsicólogo
5/8/20241 min read
Tem adultos que chegam ao consultório depois de décadas tentando se encaixar em algo que nunca foi feito para eles. Pessoas inteligentes, funcionais, que "deram conta" — mas sempre com um custo muito alto. Exaustão social. Dificuldade de entender por que certas coisas que parecem simples para os outros são, para elas, genuinamente difíceis.
O autismo em adultos ainda é pouco reconhecido. Por muito tempo, o diagnóstico era dado quase exclusivamente em crianças — e mesmo assim, com critérios que favoreciam meninos com manifestações mais evidentes. Mulheres, pessoas com alto QI, pessoas que aprenderam a camuflar — ficaram de fora.
O que a neuropsicologia nos ensina é que o autismo não é uma falha de caráter nem falta de esforço. É uma forma diferente de processar o mundo: estímulos sensoriais, linguagem social, mudanças de rotina. O cérebro autista não é um cérebro com defeito — é um cérebro que organiza a experiência de outro modo.
O diagnóstico tardio costuma provocar duas coisas ao mesmo tempo: alívio e luto. Alívio porque finalmente há uma explicação. Luto porque há uma história inteira que poderia ter sido diferente. Ambos são válidos. Ambos precisam de espaço.
Se você se reconheceu em alguma coisa aqui — ou reconheceu alguém — vale a pena conversar. Não para rotular, mas para entender.
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